Ban Ki-moon insiste em sinalizar o Sahara Ocidental como um território ocupado

No seu livro publicado recentemente, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lembrou a disputa com Marrocos por causa da sua declaração sobre o status do Sahara Ocidental ocupado durante uma  visita à região em março de 2016, alegando que o termo ocupação é pura verdade.

O ex-SG da ONU, Sr. Ban Ki-moon, assegurou, no seu livro publicado pela “Columbia University Press” sob o título: “Resolvido: Unindo Nações num Mundo Dividido”, que “as autoridades marroquinas não estão completamente recuperadas do choque da franqueza “que demonstrou quando falou sobre a questão saharaui durante a sua visita à região.

O autor sublinha que, desde o início, Marrocos recusou a ideia de que o SG conduzisse a visita ao Sahara Ocidental e se encontrasse com a missão da MINURSO para agradecer pessoalmente os esforços de manutenção da paz e tentar relançar o processo de resolução do conflito entre os duas partes. Evoca também como Marrocos tentou força-lo a ser recebido pelo rei nessas regiões, o que ele (Ban Ki-moon) havia recusado, pelo que nunca obteve uma data adequada para esta visita.

No final de seu segundo mandato, o Sr. Ban Ki-moon havia, mesmo assim,  visitado a região. Uma das suas prioridades era visitar os campos de refugiados saharauis. Explica detalhadamente a sua visita a Smara, e como cerca de 20.000 pessoas paradas na beira da estrada fizeram fila ao redor da sua comitiva para expressar sua raiva, a sua indignação reprimida pelas condições em que teem de viver nos acampamentos bem como a sua decepção com as Nações Unidas, que não conseguiram por fim à sua luta contra  Marrocos.

Ban Ki-moon disse que ficou “surpreso” e “envergonhado” ao ver tantos jovens furiosos carregando faixas como “chega de quarenta anos de ocupação” e “as Nações Unidas são desonestas”.

O diplomata sul-coreano recorda ainda que durante uma conferência após a sua viagem, sublinhou que “tinha plena consciência do impacto da expressão ocupação sobre os marroquinos, mas ficou de tal forma emocionado com o que passou naquela tarde que falou sem filtros. Na realidade estava apenas a dizer a verdade”, relativamente ao estatuto jurídico do Sahara Ocidental, classificado como território não autónomo pela ONU.

O ex-SG sabia que a sua declaração teria impacto, uma vez que, disse ele, as autoridades marroquinas decidiram expulsar a componente técnica da missão das Nações Unidas para a organização de um referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental (Minurso) .

Revela ainda no seu livro, que no seu regresso a Nova York, em 15 de março de 2016, recebeu o Ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Salaheddine Mezouar, a quem disse que durante uma década ao serviço nas Nações Unidas, jamais tinha visto ou ouvido um comportamento tão “rude” e “inqualificável” de um país membro, contra o Secretário-Geral das Nações Unidas.

Fonte: aps.dz

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