Desaparecido numa prisão Marroquina

Desde o dia 9 de Abril que o activista Saharaui Mohamed Lamine Haddi está desaparecido.
Nem a família e advogada sabem onde esta Haddi.

A mãe de Mohamed Lamine Haddi exibe uma foto do filho @ECS

Mohamed Lamin Haddi, um preso político saharaui do grupo Gdeim Izik, condenado a 25 anos de prisão após um julgamento sem provas, está detido há 10 anos em prisões Marroquinas, dos quais três anos e meio em isolamento na prisão de Tiflit2, perto de Rabat.
A advogada Olfa Ouled em entrevista ao ECS disse que a família de Haddi continua a lutar para que as autoridades marroquinas o tratem como um ser humano e que ele está inocente.

Diz ainda “penso na família dele, principalmente na mãe que sofre por não saber onde está o filho, já há dois meses. Estou muito preocupada com o estado de saúde (mental e físico) do meu cliente. Não temos notícias de Haddi desde 9 de Abril”. Perante esta situação, permita-me dizer que estas práticas de detenção incomunicável dos presos políticos favorecem a sua submissão a tratamentos desumanos já que ninguém sabe exatamente o que está a acontecer. Onde está? O que lhe aconteceu? Queremos saber se Haddi está vivo? Sim, se ele ainda está na cela? Ou se já o mataram? ” A Amnistia Internacional, escreveu a sua segunda carta nos últimos dois meses ao chefe do governo marroquino, Saadeddine El Otmani, apelando ao fim do confinamento solitário do activista político saharaui Mohamed Lamin Haddi, e pediu-lhe ainda para respeitar os direitos dos presos políticos e de opinião dando-lhes direito de acesso a serviços médicos e visitas regulares da sua família.
O apelo da Amnistia Internacional foi também dirigido a todos os activistas de Gdeim Izik.

Em vista do acima exposto, exortou-o a pôr fim ao confinamento solitário de Mohamed Lamin Haddi, a permitir-lhe acesso imediato aos serviços médicos necessários, e a garantir que suas condições de detenção atendam aos padrões internacionais. Exortam as autoridades marroquinas, a garantir que seja mantido acesso regular à sua família e à sua representação legal, uma vez que, de acordo com as Regras de Mandela – que prevêem na regra 59 que os prisioneiros devem ser detidos, na medida do possível, em prisões perto de suas casas – todos os activistas de Gdeim Izik deveriam ser transferidos para El Aaiun, para ficarem mais próximos dos seus familiares. Por fim, pede que Mohamed Lamine Haddi e os outros detidos de Gdeim Izik sejam submetidos a um novo julgamento justo e de acordo com os padrões internacionais”, escreveram ainda na última carta datada de 11 de Junho de 2021.

Na carta da Amnistia Internacional, pode ler-se que “nem o advogado nem a família de Mohamed Lamin Haddi têm notícias dele desde 9 de Abril”. Além disso, o director da prisão Tiflet II ameaçou Mohamed Lamin Haddi que o transferiria para uma pequena cela do tipo masmorra se a sua família continuasse a divulgar o seu caso. “Mohamed ligou para dizer que as autoridades da prisão haviam ameaçado levá-lo para a cadeia se a sua família não parasse de pedir publicamente a sua libertação”, relata ainda a Amnistia Internacional.

Mohamed Lamine Haddi vive numa cela que mais parece uma caixa, 23 horas por dia, desde 2017

A sua advogada descreveu a cela como uma pequena sala de 2 m², sem janela, torneira ou WC. É conhecida pelo nome de “cela de castigo” ou “caixão”, devido ao seu tamanho. Desde 9 de Abril, que a sua família ligou várias vezes para o promotor real e para o director da prisão de Tiflet II, sem obter qualquer tipo de resposta. A advogada de Mohamed Lamin Haddi e a sua família contactaram individualmente a prisão no dia 1º de Junho, e o telefone foi-lhes desligado na cara, mal ouviram o nome de Mohamed Lamin Haddi ser mencionado. A saúde de Haddi piorou desde que ele iniciou uma greve de fome de 69 dias que começou em Janeiro para pedir que parassem de o maltratar. Em 23 de Março, disse à sua família que os carcereiros o forçaram a parar a sua greve de fome e o obrigaram a comer à força. Contudo, não tinha recebido nenhum atendimento médico durante a sua greve de fome, e estaria a sofrer de paralisia parcial, tremores, perda de memória e dores severas. A sua advogada, teme que a falta de notícias desde Abril indique que o seu estado de saúde tenha piorado.

De referir que, desde o dia 17 de Setembro de 2017, as autoridades mantiveram Mohamed Lamin Haddi e outros activistas do grupo de Gdeim Izik em confinamento solitário na prisão Tiflet II. Permanecem sozinhos nas suas celas, sem contacto com outros reclusos, pelo menos durante 23 horas por dia. As visitas familiares às prisões, foram proibidas desde Março de 2020, devido a restrições associadas ao COVID-19. De acordo com a sua advogada, as autoridades penitenciárias mantiveram Mohamed Lamin Haddi, encarcerado na sua cela desde 2018 como castigo.

Recordamos que, Mohamed Lamine Haddi está detido em confinamento solitário na prisão Tiflet II de Rabat desde 2017, condenado arbitrariamente a 25 anos de prisão após um julgamento injusto, realizado colectivamente em massa com outros activistas do grupo Gdeim Izik. A sua saúde piorou consideravelmente após a greve de fome que manteve por 69 dias em protesto contra os maus-tratos sofridos em Janeiro de 2021.

Fonte: ECS

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