História

Sahara Ocidental: A luta de um povo!

República Árabe Saharaui Democrática

Os primeiros europeus a visitarem o Saara Ocidental foram os Portugueses, ao passarem o Cabo Bojador. Estabeleceram relações amigáveis e fizeram múltiplas trocas comerciais. Chamaram a esta região Rio do Ouro, denominação que ainda hoje se mantém.

A República Árabe Saharaui Democrática  (RASD, em árabe الجمهورية العربية الصحراوية الديمقراطية) é um governo no exílio formado pela antiga colónia espanhola do Saara Espanhol foi uma colónia espanhola entre 1884 e 1975 tendo sido anexada em 1975 por Marrocos e pela Mauritânia, e posteriormente anexado totalmente por Marrocos em Agosto de 1979, ao renunciar a Mauritânia à zona que ocupava.

A RASD é reconhecida por 48 estados (reconheceram-na 22 países que revogaram anteriores reconhecimentos e 12 que congelaram relações com a RASD), em 13 dos quais existe uma embaixada Saharaui.

República Árabe Saharaui Democrática é também o nome do governo no exílio do Saara Ocidental, proclamado pela Frente Polisário em 27 de Fevereiro de 1976. O primeiro governo da RASD formou-se em 4 de Março desse ano.

A RASD é reconhecida internacionalmente por 45 estados e mantém embaixadas em 13 deles, é membro da União Africana desde 1984, mas carece de representação na ONU.

O primeiro estado que reconheceu a RASD foi Madagáscar em 28 de Fevereiro de 1976.

As Nações Unidas consideram o antigo Saara espanhol um território não descolonizado, sendo a Espanha, formalmente, a potência administrativa. Os esforços de paz da ONU apontam para a organização de um referendo entre a população Saharaui, para identificar se esta pretende a independência, mas este ainda não ocorreu. A União Africana e pelo menos outros 44 governos consideram o território como um estado soberano, ainda que ocupado, e a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) com um governo no exilio apoiado pela Frente Polisário. O Marrocos Espanhol, oficialmente Protectorado Espanhol do Marrocos  (em árabe: حماية إسبانيا في المغرب, ḥimāyat Isbāniyā fi-l-Magrib), também conhecido entre os marroquinos como Ocupação Espanhola do Marrocos (الاحتلال الإسباني للمغرب, al-iḥtilāl al-isbānī li-l-Magrib) foi um protectorado da Espanha na África, de acordo com os tratados firmados com a França em 27 de Dezembro de 1912.

O protectorado consistia de dois territórios do actual Marrocos, geograficamente separados: a área do norte de Marrocos, que incluía as regiões do Rif eJebala, e a de Tarfaya, na fronteira com o Saara Espanhol, tendo por fronteira o Rio Draa. Oito meses antes do acordo, a França havia estabelecido o seu próprio protectorado sobre a maior parte do atual território do Marrocos. A criação de uma administração colonial do protectorado sobre os territórios do Rio Rif, no entanto, só viria ocorrer em 1927, quando a área já havia sido pacificada. O protectorado durou até 1956, excepto o que era conhecido como o protectorado meridional ou região norte das três em que se dividiu o Sahara espanhol.

O Exército de Libertação de Marrocos  (em árabe: جيش التحرير, Jayshu-t-tahrīr; em Francês: Armée de Libération) lutou pela independência de Marrocos.

Em 1956, unidades do exército (regular) começaram a infiltrar-se em Ifni e noutros territórios do Saara espanhol  (hoje conhecido como Saara ocidental), para reclamá-los como parte integrante de Marrocos. Com o apoio inicial do governo de Marrocos, o exército reuniu tribos Saharauis no Sahara Espanhol e desencadearam uma rebelião em larga escala. Em princípios de 1958, o rei de Marrocos reorganizou as unidades do exército da libertação que lutavam no Sahara espanhol como o “Exército de Libertação do Sahara”.

A revolta no Sahara Espanhol terminou ainda nesse ano com uma ofensiva conjunta de França e Espanha. O rei de Marrocos assinou um acordo com os Espanhóis, no qual Espanha devolvia a província de Tarfaya a Marrocos. Parte do Exército da Libertação foi absorvida pelas forças armadas de Marrocos.

Marrocos vê as batalhas do Exército de Libertação no Sahara Ocidental e das tribos Saharauis unidas sob a bandeira marroquina como prova da lealdade do Sahara Ocidental para com a coroa Marroquina, enquanto que simpatizantes da Frente Polisário vêm essas batalhas apenas como um movimento anti colonização dirigido contra Espanha. Veteranos Saharauis do Exército de Libertação ainda existem hoje em ambos os lados do conflito do Sahara Ocidental e tanto o Reino de Marrocos como a República Árabe Saharaui Democrática celebram o movimento como parte da sua história politica.

A guerra de Ifni  (ou Guerra Olvidada como é conhecida em Espanha) tratou-se de uma série de incursões armadas ao Sahara Ocidental por insurgentes Marroquinos e rebeldes Saharauis iniciada em Outubro de 1957 e que culminou no cerco à cidade de Sidi Ifni. A guerra, que pode ser vista como uma parte do movimento geral de descolonização que percorreu a África na segunda metade do século XX, foi levada a cabo numa fase inicial por elementos do Exército de Libertação de Marrocos que dedicaram uma considerável parte dos seus recursos à captura das possessões espanholas.

Causas

A cidade de Sidi Ifni foi incorporada no Império Colonial Espanhol em 1860. As seguintes décadas de colaboração Franco-Espanhola resultaram na criação e expansão de protectorados espanhóis a sul da cidade e a influência espanhola obteve reconhecimento internacional na Conferencia de Berlim de 1884. Em 1946, as várias colónias na região foram consolidadas com a formação da África Ocidental Espanhola. Imediatamente após ter obtido a sua independência de França em 1956, Marrocos revelou interesse nas possessões espanholas, declarando que eram historicamente e geograficamente parte do território marroquino. O Sultão marroquino Mohammed V encorajou os esforços para retomar a terra e financiou pessoalmente conspiradores contra Espanha em Ifni.

O rebentar da guerra

A 10 de Abril surgem violentas demonstrações contra o domínio estrangeiro em Ifni, seguidas por conflitos civis e uma onda de assassinatos a leais a Espanha. Em retaliação, o Generalíssimo Franco enviou dois batalhões da Legião Espanhola para El Aaiún em Junho. A mobilização militar espanhola acabou por fazer convergir o exército marroquino perto de Ifni. A 23 de Outubro, duas aldeias nos subúrbios de Sidi Ifni, Goulimine e Bou Izarguen, foram ocupadas por 1.500 soldados marroquinos (Moukhahidine). Outros dois batalhões espanhóis chegaram ao Saara espanhol ainda antes das hostilidades terem começado.

O assalto a Ifni 

A 21 de Novembro, os serviços secretos espanhóis em Ifni informaram que ataques marroquinos perto de Tafraut estavam iminentes. Dois dias mais tarde as linhas de comunicação espanholas foram cortadas e uma força de 2.000 homens tomam de assalto quartéis espanhóis e armazéns em Ifni e nas redondezas. Embora a investida marroquina em Sidi Ifni tenha sido repelida com facilidade, dois postos espanhóis nas redondezas foram abandonados face aos ataques e muitos outros mantiveram-se sob cerco apertado.

Tiluin 

Em Tiluin, 60 atiradores num conjunto composto por membros do exercito e milícias locais, esforçaram-se para repelir uma força de centenas de marroquinos. A 25 de Novembro um esquadrão de cinco bombardeiros C.A.S.A. 2.111 (variante espanhola do Heinkel He 111), bombardearam posições inimigas, enquanto outros cinco aviões de carga C.A.S.A. 352 (variante espanhola do Junkers Ju 52 3M) deixaram 75 paraquedistas no posto. A 3 de Dezembro, soldados do 6º batalhão da Legião espanhola chegaram e puseram termo ao cerco, retomando o aeródromo. Todo o pessoal militar e civil foi então evacuado para Sidi Ifni.

Telata 

A libertação de Teleta deu-se com menos sucesso. Em 24 de Novembro saiu de Sidi Ifni uma companhia de paraquedistas da Legião Espanhola a bordo de camiões, sob o comando do Capitão Ortiz de Zárate. O terreno acidentado e as frequentes emboscadas marroquinas forçaram os espanhóis para fora da estrada e causaram vários feridos. Dois dias após a partida a companhia ficou sem comida. Com poucas munições, os espanhóis continuaram a marcha sendo alvos de repetidos ataques. Foram lançadas várias rações por aviões mas o número de mortos continuou a subir, entre eles o Capitão. A 2 de Dezembro uma coluna de infantaria irrompeu as linhas marroquinas e repeliu o cerco.

O cerco a Sidi Ifni 

Os ataques marroquinos iniciais foram bastante frutíferos. No espaço de duas semanas os marroquinos e aliados tribais tinham garantido já o controlo de grande parte de Ifni, isolando a infantaria espanhola da capital. Ataques simultâneos lançados por todo o Saara espanhol permitiram aos marroquinos capturar postos e emboscar patrulhas. Na esperança de criar revoltas em Sidi Ifni as forças marroquinas, agora reforçadas, iniciaram o cerco à cidade. No entanto este esforço foi em vão, pois as defesas espanholas estavam além das estimativas marroquinas. Com recursos trazidos pela Marinha Espanhola e quilómetros de trincheiras e postos, Sidi Ifni com cerca de 7.500 soldados provou ser impugnável. O cerco, que durou até Junho de 1958, foi monótono e deu-se praticamente sem derrame de sangue, pois tanto Espanha como Marrocos tinham concentrados os seus recursos em terras do Saara.

A reconquista do Saara espanhol 

Em Janeiro de 1958, Marrocos redobrou o seu empenho para com a campanha espanhola, reorganizando todas as unidades militares no território espanhol como o “Exército de Libertação do Saara”. Os espanhóis foram atacados em El Aaiún mas venceram e forçaram os marroquinos a concentrar os esforços a sudeste. No entanto, pequenos grupos de homens com espingardas escondidos em dunas perto de postos espanhóis atacavam batalhões que passavam despercebidos. Em Fevereiro, companhias Franco-Espanholas lançaram uma grande ofensiva que desmantelou com sucesso o Exército de Libertação de Marrocos. Pela primeira vez, um poder massivo aéreo europeu foi posto em acção quando França e Espanha fizeram descolar uma frota conjunta de 150 aviões. Os fortes montanhosos em Tan-Tan foram os primeiros a cair, bombardeados pelo ar e sofrendo ataques de rockets por terra. No dia 10 desse mês as forças marroquinas haviam já sido varridas de Edchera, Tafurdat e Smara. O exército espanhol em El Aaiún, em conjunto com as forças francesas lançaram um ataque final sobre os marroquinos a 21 de Fevereiro, destruindo as concentrações do Exército de Libertação de Marrocos entre Bir Nazaran e Ausert.

Consequências

A 2 de Abril os governos de Espanha e Marrocos assinaram o Tratado de Angra de Cintra. Marrocos obteve a região de Tarfaya (colónia de Cabo Juby). Espanha manteve o domínio sobre Ifni até 1969, quando sob pressão internacional (resolução 2072 das Nações Unidas de 1965), o território foi cedido a Marrocos. Só em 1975 o Saara Ocidental teve o mesmo destino. Marrocos renunciou a parte de Tindouf na zona de França, e a Mauritânia.

Marcha verde

A Marcha Verde foi um protesto generalizado ocorrido em Novembro de 1975, organizado pelo governo de Marrocos para forçar Espanha a entregar o território disputado do Sahara Espanhol.

O Muro

O muro do Sahara, “muro da vergonha”, é uma estrutura com aproximadamente 2.700Km de extensão, que atravessa o Sahara Ocidental e a zona sudoeste de Marrocos. Serve de barreira de separação entre as zonas do Sahara controladas por Marrocos e as zonas controladas pela Frente Polisário. É construído por areia e pedra, embora a estrutura integre bunkers e campos minados

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